14 de abril de 2014
nabocadolobo

O erro

Dá-lhe

Seria uma obviedade dizer que não dá pra pagar o salário que cada jogador pede pra vir ou renovar, caso contrário teríamos uma folha de milhões. É preciso se manter coerente e não fazer loucuras. Porém em algumas situações não se deve perder determinados jogadores. Um desses é o Felipe Garcia, que acabamos de perder. Sim, perder.

Porque caso o Pelotas não conseguisse renovar com ele porque tivesse proposta de Série B ou A do brasileirão, tudo bem. Aí tem vezes que a questão nem é o salário mas sim a chance, o horizonte que se abre. Nesse caso estamos perdendo ele pra um adversário. A cidade que ele vai morar não é melhor que a nossa (sim, porque é a mesma), a estrutura não é melhor que a nossa, o campeonato é o mesmo e o horizonte que se abre pra ele lá ou aqui é o mesmo. Ele sabe que está fechando uma porta fazendo isso, e uma porta que deu uma grande chance pra ele, aonde ele tem(inha) o respeito por parte da torcida, portanto ele já tem meio caminho andado. Indo pra lá ele vai ter que cavocar bastante pra chegar na situação que estava na Boca do Lobo em termos de respeito, carinho, consideração, moral e etc. E ele sabe disso, não é bobo.

Então se ele trocou 6 por meia dúzia num âmbito geral, chego eu à conclusão de que a outra proposta foi muito melhor. O que fica é: a nossa foi muito ruim ou a outra foi muito boa? Pelo que parece a coisa não é só financeira, tem questão da recuperação dele. Mas, e aí? O que pegou? E essa pergunta vai ficar no ar. Se eu conheço o Pelotas o Clube vai deixar essa pergunta no ar e se respondê-la será somente pra tentar acalmar aqui ou ali, mas abrir o jogo mesmo e explicar, não vai. Porque é um erro perder o Felipe, perder pra um adversário é um erro gigantescamente maior e nesse caso pro maior rival é só uma cereja azeda num bolo ruim. Mas existem diversas formas de perder um jogador, algumas a culpa é 100% do Clube, em outras são questões de mercado, outras é um pouco de culpa de ambos e também em algumas o jogador não quer ficar e não adianta insistir.

Explicando o que levou à essa situação muitas vezes tu, além de ser correto com o torcedor, também minimiza um tantinho que seja, caso o motivo seja plausível. Todo mundo vai continuar furioso e irritado em perder um jogador desse nível pro maior rival que vai jogar o mesmo campeonato, mas a parte racional do cérebro vai entender caso a história seja contada. Mas como eu conheço o Pelotas, nada mais profundo vai ser dito. Vai cometer o erro em cima do outro erro.

Abraços

1 de abril de 2014
nabocadolobo

Mais uma vez

Dá-lhe

Quando do último rebaixamento houve praticamente uma mágica na Boca do Lobo. Naquela situação o rombo nos cofres era profundo e o então presidente Marcelo Neves deu uma de mágico e conseguiu em meses equacionar a situação. Negociando pessoalmente as pendências que ficaram com jogadores, fornecedores e etc foi capaz de resolver um problema grande. Isso é fato. Sua capacidade como presidente é outra coisa a ser discutida (ou não). Mas ele novamente se encontra numa situação bem parecida.

Pelo que vi, ouvi e li a história agora não é tão dramática, a dívida que tem que ser resolvida pra ontem é menor que aquela, a situação política que era explosiva agora está num momento de tranquilidade e no horizonte temos uma Série D e não uma Copa FGF em sua 1º edição.

Porém algumas situações coincidentemente se repetem, como gente de comissão técnica e atletas saírem atirando pela imprensa, a categoria de base sendo cortada na própria carne e muita fofoca rolando e deixando a torcida extremamente temerosa, descrente e na dúvida do que vem pela frente.

Uma assembleia geral do Presidente com os sócios pra explicar tintim por tintim da situação financeira do Clube agora seria algo muito inteligente e necessário. O torcedor teria a situação colocada às claras e entenderia o motivo pelo qual as coisas andam ocorrendo. Inclusive porque houveram tantos problemas financeiros durante o Gauchão, pra que seja respondida a pergunta que é feita constantemente: “Onde foi o $ da tv?”. Além do que, sendo sincera e aberta a direção também trás o torcedor pro seu lado, porque quebra aquela coisa do silêncio que faz a torcida estar ‘de um lado’ e a direção ‘do outro’. Isso faria entender que estamos todos no mesmo barco.

Agora ficamos na espera não só dos esclarecimentos mas principalmente de uma nova mágica financeira por parte do diretor financeiro.

Abraços

28 de março de 2014
nabocadolobo

Esperando

Dá-lhe

Apenas esperando as definições políticas e administrativas que estão ocorrendo. Como nada concreto foi anunciado depois da reunião do Conselho, continuamos nessa espera. O único problema é que o mercado não vai ficar esperando também.

Quem está afim de assumir quer mais ajuda e aí nessa negociação não sei o que está acontecendo.

Abraços

20 de março de 2014
nabocadolobo

A próxima fase

Dá-lhe!

Não tivéssemos a Série D pela frente a crise seria imensamente maior, as dificuldades muito piores e as próximas semanas um filme de terror. Não se desdenha de campeonato nenhum, aliás, sempre que jogamos as Copas de segundo semestre eu sempre comentei que me parecia que o Pelotas não entrava de cabeça na competição, ficava pensando no Gauchão seguinte e esquecia de jogar aquele campeonato. É isso que temos que fazer na segundona do ano que vem. Jogá-la como o último campeonato da nossa vida porque é assim que todo mundo a enfrenta.

Mas temos que colocar na cabeça que a Série D é mais importante sim que o campeonato estadual, seja ele qual for. Primeira, segunda ou terceira, o nacional é mais importante que o estadual, sempre foi e cada vez mais será. O problema de estar na segundona é porque ela acaba complicando o resto do ano. É um campeonato sem nenhuma visibilidade, que tu fica catando trocado pra pagar cada conta, te metendo em tudo que é buraco e te dificulta organizar o resto do ano. Por isso a primeira é melhor que a segunda. O fato é que não faria o menor sentido desistir da vaga na D pra se organizar. Seria como não comer o filé pra poder lavar as mãos, trocar de roupa, passar perfume e comer carne de pescoço.

Só que me parece que isso não tem força. A questão é levantada apenas pela situação do Clube. Ponto.

Agora é esperar os próximos movimentos políticos e administrativos e tentar imaginar o que vem pela frente. Não só em relação à Série D e como a enfrentaremos, mas os próximos anos do Pelotas.

Abraços!

14 de março de 2014
nabocadolobo

Eterno

A vida é especialista em promover determinados encontros que se tornam especiais e decisivos no futuro. Como dois adolescentes que cruzam olhares no canto de uma festa qualquer e acabam se tornando um casal velhinho e cheio de netos. O professor que ao encantar um aluno com sua matéria acaba descobrindo um mestre na área. A nova vizinha que se torna a melhor amiga, pra sempre.

Provavelmente essas belas histórias se tornariam mais encantadoras ainda caso se soubesse o que ocorria em cada uma dessas vidas antes delas se cruzarem. É como se cada um encontrasse, sem saber, exatamente o que mais precisava. São vidas que se completam, se encaixam, se salvam.

E como agradecer à outra pessoa por cada momento, cada detalhe, cada situação vivida? Como agradecer por tudo?

Não precisamos. Talvez por vezes não saibamos, mas nesses casos também ajudamos e não apenas somos ajudados.

Sandro Sotilli. Sotilli. Sotigol. Alemão matador. Alemão.

Cada campeonato, cada partida e cada gol foram tornando Sotilli e o torcedor do Pelotas mais próximos. De tão próximos se tornaram o mesmo.

O encontro entre Sotilli e Pelotas foi um desses pra lá de especiais. Afinal, também sem saber, um precisava do outro.

Sotilli chegava à Boca do Lobo com a carreira feita, sem precisar provar mais nada pra ninguém. Conquistou muito mais que imaginava quando começou em Erechim. Famoso, resolvido profissionalmente, artilheiro e campeão por tudo. Mas faltava uma coisa, uma coisinha só. Ser ídolo de uma nação e poder chamar um dos milhares de estádios por onde passou de casa.

Por outro lado o Clube se encontrava num momento ruim e sem ídolos há muito tempo. Quando o primeiro gol saiu contra o 14 de Julho numa segundona Gaúcha ninguém imaginava o que iria acontecer no futuro próximo. Uma conquista, duas, três. Momentos inesquecíveis. Gols, muitos deles. Mais de 50. Principalmente nos momentos mais complicados. Poderiam ser 50 e tantos gols sem tanta importância. Mas não. O gol contra o Porto Alegre num jogo que foi 1×0 na reta final da segundona. O 1º gol do título da Lupi que facilitou tudo. O 1º gol do jogo do acesso que também facilitou tudo. O gol de empate no Passo D´areia que nos classificou.

E a cada momento o grande atacante se tornava ídolo de mais alguns torcedores. Ia quebrando a desconfiança de muitos que relutavam em aceitar que alguém poderia lhes representar sem depois perder um gol feito quando não podia ou simplesmente quebrar o vínculo sem piedade. Gols, já falei neles? Sim, foram muitos antes de uma comemoração com a galera, uma palavra de afago ou o nome gritado na arquibancada. As coisas aconteceram sem pressa, naturalmente, sem forçar nada. As páginas da história do Clube eram escritas à mão, com cuidado e dedicação.

Ascendeu à galeria de ídolos ‘comuns’ se é que essas duas palavras podem aparecer juntas. Depois, com justiça foi sendo erguido à outros patamares, sendo comparado com grandes craques que vestiram a mesma camisa até se instalar definitivamente entre um dos maiores de todos. Pra nova geração, o maior.

Se tornou uma lenda. Seu posicionamento na área e a insistência da bola em lhe procurar de maneira suave e precisa será tema de conversas acaloradas em que alguns afirmarão serem coisas dos deuses do futebol. O que será que prometeu pra Deus quando desistiu de ser coroinha?

No próximo domingo, Sandro Carlos Sotilli vestirá pela última vez em partida oficial a camisa azul e amarela que tão bem lhe caiu. Estará acabando a carreira no campeonato em que, simplesmente, é o maior de todos. O momento não importa porque na vida de um campeão a derrota nunca consegue ser maior que a vitória.

Entre idas e vindas ao estádio da avenida, quando soar o apito finalizando a partida o Alemão Matador sairá do gramado para entrar pra história. O delírio de vê-lo entrar na área acabará. Não veremos mais um de seus gols. Não teremos mais pra quem cantar a música. Nossa camisa 9 terá dificuldade de achar alguém que saiba usá-la tão bem. Mas não tem problema, afinal lá no primeiro gol não esperávamos tudo isso. Recebemos e oferecemos muito mais do que alguém poderia imaginar. Idolatramos quem merece, não precisamos ter vergonha. Sandro Sotilli será pra sempre jogador do Esporte Clube Pelotas em um contrato vitalício assinado com lágrimas, suor e uma eterna vibração de gol.

 

13 de março de 2014
nabocadolobo

Melancolicamente

Dá-lhe

O Pelotas nesse Gauchão se resume ao momento em que o Sotilli após ouvir alguma bobagem do lateral do Caxias partiu pra cima dele, meteu o dedo na cara, intimou, mandou calar a boca e quando foi cercado por 4 ou 5 jogadores do Caxias foi ajudado pelo Gato, um guri de um metro e meio com 18 anos. Só, mais ninguém. Ficou todo mundo olhando um colega de Clube com 40 anos pedindo respeito de quem deve ter lhe ofendido.

Turuçu, Gadelha, Igor, Gato e Sotilli. Vou citar os nomes pra não ser injusto. Talvez outros além desses estavam com alguma vontade e eu não tenha percebido, mas o que meus olhos conseguiram enxergar foi apenas isso. Tu até pode te salvar com um time ruim se tiver vontade ou até mesmo se for vagabundo mas acima da média resolvendo só na qualidade. A combinação de ambas é absolutamente mortal. Todo o resto é consequência. Por exemplo, o Pelotas começou o campeonato sem atacante de lado porque o Felipe Garcia machucou, o Elton foi embora e o Mithyuê nunca se sabe quando vai jogar e também se mostrou muito mais meia que de lado. Aí tentaram tudo que foi esquema e escalação pra tapar esse furo. E tudo deu errado, sempre. Várias vezes repetiram situações que não tinham dado certo. Porque então foram guardar o Carlos Gato pra quando não havia mais chance? Qual a dificuldade de apostar na base? Vai cair um dedo? Da mesma forma o Sotilli que ‘não tem mais condição’. Oras, se ele não tem tantas condições pela situação física, o que adianta ficar repetindo o mesmo erro?

É três vezes mais triste ver alguém do tamanho de Sandro Carlos Sotilli ter que encerrar sua carreira numa situação como essa, de chorar como uma criança, agradecer a torcida que grita seu nome. Um mito do futebol gaúcho que escolheu a Boca do Lobo como casa e acabando assim. Por sorte e competência vai ser lembrado de outra forma. Mas esse merece um post especial.

Sobre o jogo? Jogamos a mesma porcaria que foi contra o São Luiz, a diferença é que dessa vez enfrentamos um baita time e o São Luiz é horrível. Quando o Caxias resolvia tocar a bola parecia brincadeira de criança. Enquanto estivemos no 3-6-1 além de sempre estar 3 ou 4 passos longe do adversário, também não saía jogo. Pelo esquerdo porque o Alex não tem condições e pela direita porque o Caxias marcava bem e o Michel além de não encarar o marcador nunca também não tinha com quem jogar. Se não fosse o Igor a querer jogar e dar a opção de buscar a bola de um lado e levar pro outro, ela ia ter que voltar do ala pro zagueiro sempre. Quando ele tirou o Alex, botou o Gato aberto e voltou pro 4-4-2 ficou menos pior, só que já estávamos perdendo.

No 2º tempo o Caxias não fez mais porque eu acho que não queria confusão pra ele.

Vamos pra segundona por uns dois mil motivos, é só ir escolhendo os principais. Com a aposentadoria do Alemão, tem que liberar todo mundo, não pode ficar com ninguém que não seja da base. Ninguém que passou e viveu esse momento pode continuar pra não ter perigo de carregar junto essa desgraça que foi o Gauchão 2014.

Domingo as cortinas da 1º divisão se fecharão pra nós e voltaremos pro outro palco. Sujo, escuro, fétido e pequeno, no qual nem cabemos.

Abraços

9 de março de 2014
nabocadolobo

Pelotas 1×2 São Luiz

Dá-lhe

Só se pode determinar o melhor e o pior de um campeonato após o apito que encerra a última partida do mesmo. Pois todo mundo achava que o São Luiz era o pior, dava tudo a entender que fosse. Parece que hoje ele enfrentou e venceu o pior. Mesmo que este São Luiz tenha feito força pra não vencer.

Teve 3 ou 4 ataques no 1º tempo e botou fora, inclusive uma cabeceada igualzinha à do gol pouquinho antes, deu um pênalti de graça e cedeu alguns espaços pra um time apagado. Pelotas deve ter tido uns 8 minutos bons no jogo. Uns 3 após o gol de empate e os 5 iniciais do 2º tempo.

O primeiro gol estava mais do que cantado. Meu lateral não diminui NUNCA o espaço de quem vai cruzar, o cara tem tempo e espaço pra meter na cabeça de quem quiser. Ainda mais se o companheiro estiver sozinho no meio da área. Na saída de bola o Sotilli e sua experiência cobram rápído, o Lucas carrega e mete uma porrada no travessão. Ia ser um golaço. Aliás, esse Lucas é uma ilha de muita qualidade no Pelotas. Vem o pênalti bem marcado e só se ouvia na arquibancada: “O Sotilli pegou a bola, ai meu Deus.” Eu também pensei o mesmo, afinal Sotilli no Pelotas e bater pênalti nunca foram misturas boas. Aí 2 ou 3 pediram a bola pra ele e receberam uma sacudida de cotovelo. Mas o fato é que este senhor merece todo o respeito que eu tenho e mais o que perdi pela vida e ainda não seria suficiente.

Nada demais aconteceu no resto do 1º tempo. Vou falar algo aqui e vão querer me matar, mas eu aguento. Por mais que alguns (uns tantos) odeiem o Carlos Alberto, é fato que nunca se omite na partida e tenta alguns passes mais difíceis e até lançamentos com certa qualidade mesmo em momentos de tensão, coisa que ninguém mais faz. O problema é que ele atrapalhou a própria carreira em demasia. Falta perna pra ele, infelizmente.

Começa o 2º tempo e os olhos chegaram a brilhar. O Pelotas era ofensivo, forte, veemente. Michel parecia ter entrado bem, Mikael começou a antecipar e roubar a bola, Libano chamando ela e o Sotilli ganhando por cima davam a impressão que iríamos virar. Era só impressão. Quando o São Luiz começou a amorcegar e gostar um pouco mais do jogo, começamos a ter dificuldades. E se o Pelotas toma gol de adversários que não gostam do jogo, imagina o contrário. E aí é necessário ser justo. Posso ser desmentido pela tv amanhã, mas pra mim era o Alex na marcação do jogador que fez o 2º gol, vários na minha volta acusaram o Salvador e outros o Fred, mas não eram eles. Então teve 19 chances de chutar a bola ou empurrar o adversário pra proteger e não o fez. Mereceu tomar o gol.

Após o gol o São Luiz ficou muito tranquilo. Da forma que o jogo se desenhava o Pelotas podia fazer duas coisas, meter a bola na área do jeito que meteu ou abrir a jogada pelo lado do campo, abrindo a zaga e fazendo um cruzamento que é mais pro atacante que pra zagueirada. Mas aí a gente lembra que o lateral esquerdo não existe, não temos atacante de lado e o adversário percebeu que só podia acontecer algo com Lucas x Michel pela direita. Ficou fácil. Fácil também porque os levantamentos eram mal feitos. A chance que tivemos Rafael Santiago tentou pela segunda vez no campeonato um voleio no momento errado. Caísse ela no pé de Sandro Carlos e ele dominava, fazia o gol, voltava e fazia mais uns três gols. Mas como pra cair também precisa de um tanto de falta de sorte, ela caiu no pé errado.

O que ficou desse jogo foram, fazendo uma forcinha, 4 jogadores. Lucas que apesar de se apagar porque esse tipo de jogo não é pra ele, como eu disse é, tecnicamente, o melhor da equipe. Fica também a luta do Igor, que correu o tempo inteiro, não se escondeu nunca e jogou bem em 2 posições. Outro que também o fez foi Wagner Libano, que se realmente ficou brabo por não jogar em NH tinha toda a razão do mundo. Jogou bem contra o SP, foi o melhor em campo disparado contra o Cruzeiro e dessa vez, novamente, mesmo sendo um guri que começou ontem e é feito de pele e osso agiu como homem. Pediu a bola, soube cavar faltas, entrou nos espaços e tentou jogar.

E é triste e emocionante ao mesmo tempo ver o que o Sotilli fez nessa partida. Mesmo com toda carga emocional que ele tem ao bater pênalti aqui, pegou a bola e fez o gol com uma calma de… Sotilli. Com QUARENTA ANOS NA CARA, correu até os CINQUENTA minutos do 2º tempo como se tivesse 18. Ganhou TODAS as bolas cruzadas pra ele no 2º tempo, cabeceando com perigo em duas e na outra o zagueiro chegou atrasado mas salvou. Fez o 3º gol na temporada mesmo jogando MUITO menos que os outros 2 atacantes. Eu queria ter paciência agora pra procurar e somar o tempo que ele esteve em campo e o tempo que os outros 2 estiveram e fazer uma relação de tempo x gol. Vai terminar a temporada como vice-artilheiro do Pelotas tendo jogado 1/4 ou 1/5 das partidas. Isso se ainda não fizer mais gols. Não é de graça que saiu aplaudidíssimo pela torcida após o resto da equipe ser hostilizada.

Por fim, creio que não tivemos apenas um problema nesse campeonato. Tivemos muitos, em todos os setores. Mas é claro à todos que a preparação física ficou muito à desejar. Aposto cada camisa do Pelotas que várias dessas ‘lesões’ aí foram migués. Também acho que em determinado momento algumas lesões eram motivadas um tanto por stress, pela pressão, o cara começa a correr errado e o sangue cheio de porcaria pelo stress absurdo causa esses problemas musculares. Porém acho que o imenso número de lesões causadas principalmente pela preparação física expuseram o grupo ruim que foi montado. Eu vou pra segundona achando com tranquilidade que temos um bom time. Aliás, uns 13 ou 14 jogadores com condições. Mas quando tu tem que usar o tempo inteiro 18, 19 ou 20 jogadores, tendo que improvisá-los, tendo que mudar esquema, tendo que acalmar confusão no vestiário aí a coisa não anda. Tínhamos 3 bons volantes, Gaúcho, Santiago e Guedes. Mas só 3 nessa posição não dá. Temos um bom lateral que é o Digão, mas tu junta os outros 2 e não da uma perna dele. Se ele ficar machucado o campeonato inteiro, o quê adianta?

Bom, não vou comentar sobre possibilidades matemáticas ou mágicas que temos pela frente. Apenas na próxima rodada, como não tenho amor próprio vou vestir minha camisa e ir pra Boca do Lobo como MILHARES de torcedores que vão cair pra segundona com  a MELHOR MÉDIA DO INTERIOR. Tenho que reconhecer que nossa torcida é BEM estranha. Nosso pior público foi, simplesmente, no clássico. No outro ‘grande’ jogo que foi contra o Inter, o público também não chegou nem perto de estar à altura do evento. Mas aí em três partidas jogadas numa situação horrorosa, nós vamos lá e botamos grandes públicos. Aliás, grandes públicos se fossem jogos normais, como foi o caso contra  VEC e Juve que foram na mesma base. Se for imaginar o que estamos passando os públicos foram absurdos.

É, senhores. Caminhamos rapidamente pra segundona, mas pelo menos caminhamos juntos.

Abraços

7 de março de 2014
nabocadolobo

NH 3×1 Pelotas

Dá-lhe

Pra começar, um comentário dos comentários. Por pior que esteja o momento chega a ser engraçado como a gente é maluco! Os comentários feitos ontem após o jogo eram num tom e hoje depois que a galera dormiu, relaxou, já são em outro tom diferente.

Mas é assim mesmo, se não fosse o futebol não teria o número de ‘fãs’ que tem.

Sobre o acontecido, vai dizer o que? Explicar o que? Acho que todo mundo ouviu o mesmo que eu ouvi na rádio. A mesma história de sempre. Time que perde de matar o jogo pela trilionésima vez seguida, que tem 2 lesionados, que para de correr. O que me pareceu de novo nas declarações foi que alguns resolveram ‘abrir a boca’. Lucas dizendo que parecia time de juvenil pra tomar o 1º gol, Roger dizendo que não podia dar o fundo pro cruzamento do 1º gol porque tinha cobertura, aliás, coisa que o Barbieri também disse. Não sei se já tem algo há tempos pelo vestiário e agora que o barco tá fazendo água a galera resolveu atirar tudo pra cima.

Vou repetir, NÃO SEI. Não sei o que se passa porque não estou lá dentro. O fato é que matematicamente a coisa continua do mesmo jeito, duas vitórias nos salvariam. O problema é que parece ser mais fácil o Esportivo perder pontos nesse glorioso TJD Gaúcho que o Pelotas fazer mais 6 pontos. Acho também que dessa vez a partida contra o São Luiz acontecerá no mesmo contexto que foi contra o São Paulo, mas de forma mais decisiva. Se não vencer, é segundona. Por mais que possa continuar com chances matemáticas após uma derrota ou empate, não creio que tenhamos mais forças pra vencer dois times bem melhores que o próprio São Luiz. É claro que vencendo, com um ou outro resultado bom pra nós, no outro domingo o Caxias vai ter que jogar numa Boca do Lobo horrível de enfrentar.

Pra domingo só tem que ir quem quiser ajudar. Quem ainda tiver um restinho de gás, de paciência e um cheirinho de fé. Que vá com a intenção de apoiar e ficar ao lado do time. É a última estocada, a última chance, a última respirada. Depois, se a vitória não vier, aí azar do mundo e vamos pensar na Série D (que, aliás, NEM SONHEM em desistir da Série D seja o resultado que tivermos) e na Copa do Mundo.

Não há muito que ficar falando. Vamos esperar domingo.

Abraços

3 de março de 2014
nabocadolobo

E agora…

Dá-lhe

Passada a rodada do fim de semana e tivemos um resultado horrível que foi a vitória do SP, que por ser contra o titular do Grêmio era jogo jogado quando se fazia a conta. Porém, as derrotas de PF e São Luiz foram ótimas.

Faz conta daqui, faz conta dali e pra mim a coisa ficou bem simples: duas vitórias. Mais duas vitórias e já era segundona, sendo que uma dessas vitórias precisa ser em cima do São Luiz. É claro que a outra sendo sobre o NH faz tudo ficar mais fácil. Jogaremos contra o São Luiz com muito mais calma e confiança e estaríamos há duas rodadas do fim já ‘tranquilos’. Perde em NH e trás um peso complicado nas costas, o que poderia dificultar mais o jogo. Acho que chegando nos 14 pontos se salva porque o Passo Fundo só pode chegar em 14, teria que vencer as 3 sendo que uma delas é contra o Grêmio e as outras 2 tiraria pontos de SL e SP – o que nos ajudaria.

Pensando no SL, tem mais 4. Pra fazer mais que 14 contando com uma derrota pra nós, teria que vencer o PF – o rebaixaria – o Cruzeiro e, também, o Grêmio. Já o Esportivo teria que vencer uma e empatar duas, pelo menos. Pega o SJ em casa na última, pode fazer 3. Mas antes pega VEC em casa e Juve fora, complicado. Sem contar que a vida do Aimoré mesmo com 12, não é fácil. Lajeadense fora, Inter em casa, VEC fora e Juve em casa. Precisa de 3 pontos nesse bolo aí ou perde a vaga pro Esportivo.

Por fim nós, que pegamos uma bucha que é o NH fora, um jogo pra matar que é o SL em casa e depois o Caxias que vai depender mais da sua posição no momento. Aí vem o Grêmio, tivéssemos em uma fase melhor e daria pra contar com uma vitória pois eles vem com time reserva, afinal jogam quinta em casa e quarta em Buenos Aires pela Libertadores. Mas do jeito que vamos, não dá pra pensar muito. O que nos acode é que fazer 50% dos pontos é algo difícil porque nossa campanha é horrível, mas não seja a ser algo heroico como já foi.

Sobre o que foi proposto e discutido, de se entender porque essa campanha está assim eu creio ser mais correto analisar tudo bem analisado pós-campeonato. Fazendo uma analogia simplória, estamos no meio de uma corrida e nosso pneu tá sempre furando e vamos ficando pra trás. O que se pode fazer agora é trocar o pneu por um novo e tentar calibrar pouco mais ou pouco menos e tentar algum ajuste rápido. Mas checar com mais profundidade porque o pneu furou tanto: se simplesmente a marca era ruim, se o piso tava irregular e o piloto não desviava, estávamos indo rápido ou lentos demais ou qualquer outro problema, só depois de tudo terminado. Penso que agora é hora de livrar-se, de fazer 6 pontos e deu pra bola. É triste por um instante pensar que vamos ter só isso, mas também não vai dar muito tempo de tristeza porque num piscar de olhos teremos uma Série D pra disputar e é ela que viemos mirando nos últimos anos.

Quinta-feira o bicho vai pegar, espero que estejamos preparados!

Abraços

28 de fevereiro de 2014
nabocadolobo

Pelotas 1×3 Cruzeiro

Dá-lhe

É estranho eu falar isso num jogo que um camisa 9 fez um gol tipicamente de 9, mas falta um matador pro Pelotas. Se já vínhamos na maioria das partidas criando sem conseguir botar ela pra dentro, dessa vez isso se tornou claríssimo. Não falta só um 9, falta gente com cacoete de botar ela pra dentro. Tiago Duarte era atacante de lado e guardava, Diego Torres é meia e guardava. Às vezes até é possível de se ter camisas 9 sem aquele ‘dom’ de fazer gol se o pessoal à sua volta suprir essa necessidade. O problema é que agora não temos. Gadelha constrói muito, tem uma capacidade única de infiltrar a zaga driblando mas não consegue fazer o gol. Libano que hoje foi o melhor em campo com intensa movimentação parecendo que era o mais experiente do time joga muito bem pelos lados. Nossos zagueiros ganharam todas por cima, mas não conseguem fazer o gol.

Fomos empilhando chances boas e desperdiçando-as no mesmo ritmo. Pelotas atacava pela direita, pela esquerda, cruzava, infiltrava pelos cantinhos, chegava bem perto do gol e não resolvia a partida. Era um time muito bem organizado, com uma capacidade – que até então não teve – de inverter o lado da jogada com boa velocidade. Fazia tudo direitinho. Mas errou algumas vezes o último passe e outras tantas a definição. Faltou também arriscar um pouco mais de fora. E por mais incrível que pareça, era um time tranquilo e focado. Veio o gol, o foco foi embora e com ele o volume de jogo que tinha no 1º tempo.  Não conseguia mais criar tão claramente apesar de ter um monte de bola parada. Se no 1º gol não dá pra culpar ninguém de forma intensa por ter sido meio estranho, no 2º errou todo mundo de tudo que é jeito. O cara entrou sozinho pra fazer.

Desceu vaiado e voltou aplaudido e com gritos de incentivo de um público MUITO BOM, mas muito bom mesmo na Boca do Lobo. Bueno, o 2º tempo foi ataque contra defesa. Começando organizado e terminando desorganizado. O gol foi ali pelos 12 minutos e antes disso já tínhamos tido chances, entre elas um milagre do baita goleiro Fábio numa cabeceada no cantinho. Gol num cruzamento perfeito do Igor com uma torneada perfeita do Gilmar. Dava a sensação não só do empate mas da virada naquele momento, tão intensa era a pressão. Ela continuou por um bom tempo, e acontecia também pelos dois lados, em bolas paradas, em cruzamentos da intermediária, em jogadas de canto do Gadelha pela direita e do Libano pela esquerda. Ela resolveu que não ia entrar. Chega a ser irônico imaginar que faltou exatamente quem estava no banco e é o mestre dos mestres em posicionamento e definição dentro da área. As duas primeiras substituições creio que foram bem feitas. Apesar do Michel ter ido bem, não tem gás pra jogar intensamente ambos os tempos e se tu tens no banco um guri que tá voando como o Igor,  faz o óbvio. A saída do Jefferson Costa que tava fazendo um 3º zagueiro sem a bola pelo lado esquerdo era perigosa mas necessária. A 3º substituição que eu acho que era pra ser o Sotilli no lugar do Guedes. Deixava o Cesar Santiago que tem força e marcação ajudando os zagueiros – até porque o Carlos Alberto não faz muito isso – abre um atacante em cada lado pra tabelar e põe o Sotilli e sua áurea lá dentro.

Não que eu ache que isso fosse resolver os problemas, mas aqui tenho que opinar. Fica o registro, o Pelotas hoje foi bem melhor taticamente que em qualquer jogo nesse Gauchão, foi muito bem equilibrado nas jogadas pelo lado e foi o jogo que mais criou. Mas como é uma toada do Pelotas nesse campeonato, faltou botar ela pra dentro. Dessa vez mais do que nunca.

Jogamos fora uma chance grande e forte de classificar. Não que não seja mais possível, mas até pela questão ‘anímica’ ela se torna um tantinho heroica. Além disso, nos abraçamos na zona do rebaixamento novamente. Dependendo dos resultados do fim de semana vamos nos separar um tanto ou ela vai até nos beijar. Pra mim, mais duas vitórias e já era segundona. Principalmente se uma dessas vitórias for contra o São Luiz.

Aguardemos os novos capítulos dessa novela e esperemos ansiosamente que ela não seja tão mexicana quanto vem sendo.

Abraços

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